POR FRAUDES NA IMIGRAÇÃO, VISTOS PARA OS EUA PODEM SE TORNAR MAIS RESTRITOS PARA BRASILEIROS, DIZEM ESPECIALISTAS

14/07/2017

O Brasil é o terceiro país com cidadãos em situação ilegal nos Estados Unidos — ficando apenas atrás do Canadá, que ocupa o segundo lugar nesse ranking, e do México, que aparece na primeira colocação.
O dado é preocupante especialmente se você leva em consideração que o nosso País é o único desses três que não possui fronteira direta com os EUA. Quando a pessoa é canadense e atravessa a fronteira com o território americano para morar do outro lado, ela provavelmente decidiu isso de última hora. O brasileiro, não. Ele premeditou, comprou passagem, solicitou visto de turista, levou família, procurou emprego, inventou uma história. É algo mais complexo que o simples cruzamento de uma fronteira.
Em nota enviada ao R7, a assessoria de imprensa da Missão Diplomática dos EUA no Brasil afirma que mais de 50 milhões de visitantes e estudantes internacionais viajaram para os Estados Unidos no ano de 2016: "A grande maioria, 98,53%, não permaneceu além do tempo permitido por seu visto e saiu dos Estados Unidos, em conformidade com sua condição", diz o informe.
Mudança de planos
Um dos casos de quem queria apenas viajar para os EUA mas teve que mudar os planos é o do designer Vinícius Salles, de 30 anos. Desde o início de 2017, ele se programava para conhecer a Disney em sua primeira viagem internacional. Já tinha garantido passagens de ida e volta, reserva em hotel e até a entrada para alguns parques — tudo por meio de uma agência de turismo. Em maio, se dirigiu até o consulado americano em São Paulo para realizar a entrevista do visto. O documento, entretanto, foi recusado.
— Levei contratos e holerites para mostrar que eu tinha trabalho e família no Brasil. Achei que o fato de eu ter contratado uma empresa para planejar minha viagem daria até mais credibilidade para a obtenção do visto, mas eles não quiseram ver nada disso no consulado. Em junho, tentei o visto mais uma vez, mas recusaram novamente. A única coisa diferente foi que me perguntaram se eu tinha casa própria.
No total, o prejuízo de Salles chegou perto de R$ 3.000. O plano de conhecer a Disney foi, em parte, mantido — só que agora o designer vai para os parques de Tóquio, no Japão.
Na nota enviada ao R7, a Missão Diplomática dos EUA no Brasil esclarece que “quando alguém solicita um visto para os EUA, um funcionário do consulado analisa os fatos do caso e determina se o candidato está qualificado para obter um visto americano com base na legislação e regulamentação de imigração do país. A lei de imigração dos Estados Unidos presume que todos os candidatos a um visto americano de turista ou viagem de negócios têm a intenção de imigrar. Cabe ao candidato o ônus de contradizer tal suposição”.
Critérios rigorosos
Para Ingrid Baracchini, advogada especialista em visto americano e membro da AILA (Associação Americana de Advogados de Imigração), as exigências para a obtenção de visto se tornaram de fato mais rigorosas, principalmente depois da chegada de Donald Trump ao poder. Simplesmente comprovar salário fixo, desta forma, não é mais suficiente para ter o documento facilitado: o viajante deve contar com um rendimento mensal que justifique aquisição de dólares, pagamento de passagem e hotel, além de passeios pelos Estados Unidos por um determinado período.
— Tem também que haver o motivo da viagem, que seja lógico e plausível. As autoridades da imigração analisam ainda se a pessoa tem imposto de renda declarado, dívidas no Brasil, vínculos que sirvam como razão para voltar ao País, algum patrimônio. Eles conferem se o indivíduo tem muitos parentes nos EUA e um emprego no Brasil que faça valer o retorno.

Fonte: R7